Estudo de Viabilidade Econômica e Financeira: Quem faz? Cliente ou Fornecedor?

Adriano Martins Antonio

Adriano Martins Antonio

em 13 de maio de 2020
Estudo de Viabilidade Econômica e Financeira: Quem faz? Cliente ou Fornecedor?

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Estudo de Viabilidade Econômica e Financeira: Quem faz? Cliente ou Fornecedor?

I – A DISCORDÂNCIA

Em decorrência de um desentendimento entre conceitos do PMBoK e do MPS.BR, surgiu a idéia deste post, principalmente para clarificar mais uma vez que a prática é um pouco diferente da teoria (ou o inverso).

  • A pergunta geradora do conflito: – Quem faz o Estudo de Viabilidade Econômica e Financeira (EVEF) de um projeto?
  • Minha resposta: – O Cliente.
  • A contra-argumentação: – Então significa que você, como Fornecedor, irá aceitar todos os projetos sem fazer o EVEF?
  • Minha réplica: – Eu, como Fornecedor, não faço EVEF, e sim forneço valores, datas, condições, dados, informações e subsídios para o cliente fazer o seu próprio estudo, já que essa etapa eu fiz antes de oferecer os meus serviços, ou até, na concepção da minha empresa ou do meu projeto.

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II – CONCEITOS

Antes de continuarmos, vamos para uma rápida explicação sobre o que é Estudo de Viabilidade Econômica e Financeiro (EVEF) de um projeto, segundo o Sebrae:

“… O EVEF tem como objetivo avaliar o plano de investimento a ser realizado, demonstrando a viabilidade ou inviabilidade do projeto…”

Vamos agora, elucidar o que o PMBoK® 4ª Edição diz sobre o EVEF:

“… uma organização pode tratar um estudo de viabilidade como uma tarefa rotineira da fase pré-projeto, outra pode tratar o mesmo estudo como a primeira fase de um projeto…”

E por ultimo, o que diz o MPS.BR no item Nível F,  no item GPR11:

“… O estudo de viabilidade considera o escopo do projeto e examina aspectos técnicos (requisitos e recursos), financeiros (capacidade da organização) e humanos (disponibilidade de pessoas com a capacitação necessária). Pode-se considerar também os objetivos de negócio da organização…”

Vamos supor que um Banco tem como objetivo estratégico aumentar a quantidade de empréstimo dos clientes de baixa renda em sua carteira, no sudeste do país e, para isso, contrata uma empresa prestadora de serviços para implementar um BI (Business Intelligence) para extração e consolidação de informações de sua base de dados de cliente.

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III – DIFERENTES OBJETIVOS

O objetivo do Fornecedor é implementar o BI.

O objetivo do Banco é aumentar a quantidade de empréstimos.

Muitas vezes o Fornecedor não consegue ter a mesma visão dos objetivos do Cliente, principalmente quando a instituição Cliente não visa lucro de seu projeto, por exemplo:

  • Existem empresas que precisam desfazer-se do seu caixa rapidamente com projetos, muitas vezes desnecessários, para garantir o budget do próximo ano;
  • Algumas empresas prezam muito mais pela qualidade final do produto gerado, do que pelo custo do projeto, já que querem estar sempre à frente dos seus concorrentes;
  • Há empresas sem fins lucrativos (Terceiro Setor), que focam no desenvolvimento social e não no lucro,  que atingem uma comunidade ou uma população específica.

Não cabe aqui exemplificar quais são os tipos de objetivos, mas é fato que o Cliente, na maioria das vezes, terá diferentes objetivos do Fornecedor, consequentemente, Business Case diferente.

IV- CLIENTE FAZ ESTUDO DA VIABILIDADE FINANCEIRA, FORNECEDOR NÃO

Uma vez claro que os objetivos dos Fornecedores e Clientes são diferentes, analisemos o que o MPS.BR afirma, ainda no item GRP11:

Ora, se o Fornecedor já informou os seus custos, a data prevista, a qualidade esperada, os riscos a serem gerenciados, se todo o projeto foi planejado, não vejo o porquê fazer o EVEF no decorrer do projeto, e mediante à um desvio do estimado, do escopo, cabe o Fornecedor solicitar uma mudança.

O Fornecedor deve dar insumos ao Cliente, para que ele faça o seu próprio EVEF.

Isso deve partir do Cliente e não do Fornecedor!

Agora, uma informação de suma importância sobre o que é Business Case,  segundo o PMBoK:

“… O Business Case, ou documento semelhante, fornece informações necessárias do ponto de vista de um negócio, para determinar se o projeto justifica ou não o investimento. Normalmente, a necessidade de negócio e a análise do custo e benefício estão contidos no Business Case para justificar o projeto…”

Ora, se o EVEF, segundo o PMBoK é realizado através de um documento chamado Business Case, que segundo as boas práticas, deve ser feito na fase do pré-projeto, como o Fornecedor fará o EVEF se o projeto ainda não foi aprovado e formalizado através do Termo de Abertura?

IV- NA PRÁTICA

Para ficar mais claro, vou exemplificar através de uma Escola de Idiomas:

Vou abrir uma Escola e para isso preciso contratar os instrutores, elaborar o material, ver espaço físico e parceiros para o coffe-brake sendo que, todo trabalho administrativo será feito apenas por mim, desde a venda até  o faturamento.

Vou fazer o meu EVEF:

  • Avaliar pelo critério de VPL – Valor Presente Líquido
  • Observar o TIR – Taxa Interna de Retorno
  • Atentar ao Pay-Back
  • Analisar o custo de oportunidade
  • Levantar o potencial de mercado
  • Fazer uma análise de Swot
  • Entre outros estudos

OK! segundo o resultado obtido do meu EVEF, o projeto é viável e vai me dar um bom lucro, contanto que eu tenho uma turma mínima de 10 alunos e que a mensalidade seja de no mínimo, R$ 300,00.

Quando um cliente chegar à minha escola, e pedir para que as aulas sejam ministradas apenas para ele, eu não irei recusar!  E aqui está a diferença dos teóricos e dos práticos. Busco não recusar como Fornecedor, mas também não farei EVEF, pois quem fará o estudo de viabilidade agora será o cliente, mediante a minha resposta:

– OK cliente, você pode ter aula sozinho, mas o valor será de R$ 3.000,00 ao mês.

V- CONCLUSÃO

Ficou claro que, eu não aceito todos os projetos de qualquer jeito? Conforme comentado no início deste Post.

Na posição de Fornecedor, não farei o EVEF para todos os projetos, produtos ou serviços que eu vender, apenas passarei as novas condições para o meu cliente, que neste caso é o novo valor da mensalidade.

Da mesma forma aconteceria se eu pedisse para uma gráfica imprimir apenas 1 material pelo custo informado da impressão de 50 materiais.

Neste momento, cabe ao Cliente fazer o seu próprio Estudo de Viabilidade.

Neste contexto, repito: Sou apenas o Fornecedor, então é você Cliente, que fará o Estudo de Viabilidade Econômica e Financeira. Farei o EVEF sim, mas a cada lançamento de um novo produto ou serviços, mas não a cada venda deles.

Espero que eu tenha demonstrado claramente de como utilizar adequadamente os conceitos aplicados no MPB.BR e no PMBoK.

E você, o que acha?

Boa sorte a todos!

Comentem abaixo…


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